20 de Junho de 2008 - Sexta-feira
Não definido
Cresce número de meninas com AIDS
O número de adolescentes, na faixa etária dos 13 aos 19 anos, do sexo feminino infectadas pelo vírus do HIV/ Aids já supera o número de jovens do sexo masculino. Segundo o Ministério da Saúde, para cada 0,6 menino infectado existe uma garota portadora da doença. A informação foi apresentada no primeiro dia do IV Fórum Brasileiro de Aids e II Fórum Brasileiro de Hepatites Virais, no Mendes Plaza Hotel, em Santos.
“Nesta faixa etária as estatísticas se invertem. Na população em geral o índice é de 1,6 homem para cada mulher infectada com o vírus da Aids. E esta incidência vem crescendo proporcionalmente no caso dos adolescentes”, explica a representante do Programa Nacional de DST/Aids, Rachel Baccarini.
Entre os fatores que podem explicar esse quadro está a questão cultural. “Esses números entre as adolescentes acompanha feminização da Aids. A mulher é mais vulnerável, possui menos independência na hora da prevenção, pois o preservativo mais utilizado ainda é o masculino”.
O aumento do número de casos de HIV na população feminina cresceu 44% entre os anos de 1996 e 2005. Além disso, outros pontos apontados por Rachel explicam esse aumento. “Os casos de violência sexual, por exemplo, contribuem para esses índices, tanto que será o foco do Plano de Enfrentamento da Feminização da Aids e outras DST”.
Para atingir os jovens, o Programa Nacional de DST/ Aids leva às escolas o programa “Saúde e Prevenção nas Escolas”, iniciativa desenvolvida em parceria com o Ministério da Educação que leva a prevenção, possibilita o acesso ao preservativo, além da orientação quanto à Aids e DST.
DESCENTRALIZAÇÃO
Defendida pelo Ministério da Saúde, a descentralização da prevenção e diagnóstico da Aids desponta como o melhor caminho no combate à doença. A rede básica de saúde (unidades básicas, postos de saúde) é, na maioria das vezes, o primeiro contato da população com os profissionais, e eles devem estar preparados para receber e atender esse grande número de pessoas, orientando e oferecendo o teste de HIV/Aids.
“Acreditamos que estes dois procedimentos (prevenção e diagnóstico) devem ser oferecidos na rede básica de saúde e não apenas nos centros especializados. Estes sim devem ficar responsáveis pelo tratamento. Alguns estados já vêm fazendo isso, como o Sul e o Sudeste, e os resultado tem se mostrado positivo”, acrescenta.
PRECONCEITO
Mesmo passados 26 anos do primeiro caso de Aids diagnosticado no Brasil, ainda existe muito preconceito em relação ao assunto. “As pessoas não se identificam como sendo capazes de contrair a doença e os médicos, por sua vez, sentem-se constrangidos em oferecer esse exame para seus pacientes”, declara Rachel. Para o segundo semestre, o Programa Nacional de DST/ Aids pretende iniciar uma campanha de mobilização nacional, focando a necessidade de se fazer o teste para detecção de HIV/ Aids.(19/06/2008)
Fonte: AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS
