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6 de Dezembro de 2010 - Segunda-feira

A TRIBUNA

Demanda crescente aumenta fila de navios em portos

Publicado em 5/12/2010

Até alguns anos atrás, a principal preocupação dos portos nacionais era acabar com as filas de caminhões que abarrotavam a entrada dos terminais. Elas continuam. Mas, hoje, as autoridades portuárias têm uma dor de cabeçaadicional:afiladenavios. Entre janeiro e agosto deste ano, as embarcações que fazem escala no Brasil esperaram, juntas, 78.873 horas (ou 3.286 dias) para atracar nos portos nacionais - cada dia parado custa algo em torno de US$ 20 mil. O número é 16% superior ao verificado em igual período do ano passado. Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Centro Nacional de Navegação (Centronave). O trabalho considerou a movimentação das cinco maiores empresas de navegação nos 17 principais terminais de contêineres do País, como Santos, Paranaguá, Rio Grande e Rio de Janeiro. Segundo o levantamento, os atrasos e tempo de espera dos navios no País provocaram 741 cancelamentos de escala ­ 62% superior ao de 2009. "São números significativos que mostram o gargalo da infraestrutura brasileira", lamenta o presidente do Centronave, Elias Gedeon. Ele reconhece que o governo tem tentado melhorar a situação dos portos, mas a demanda está superando o resultado das ações e o aumento da oferta. O executivo observa que, em Santos, o volume de contêiner aumentou 215% nos últimos dez anos. Enquanto isso, houve um aumento de 23% no comprimento nos berços de atracação e 20% na área alfandegária. "O tamanho das embarcações cresce ano após ano. De 2005 pra cá, o aumento foi de cerca de 30 metros", ressalta Gedeon, explicando que navios maiores comprometem mais berços na atracação. O diretor da Associação dos Usuários dos Portos da Bahia (Usuport), Paulo Villa, lembra que a armadora Maersk acaba de encomendar 20 navios de 19 mil teus (unidade padrão representada pelo contêiner de 20 pés). Os maiores em operação no mundo são de 15 mil teus, equivalentes a quatro quarteirões, e nunca estiveram no Brasil. Para o especialista, o Brasil precisade mais terminaiseberços para atender a demanda crescente.Mastambémépreciso melhorar a infraestrutura de armazenagem e modernizar os equipamentos de operação de cargaedescargadecontêineres. Apesar de todos os avanços, os terminais nacionais fazem entre 20 e 40 movimentos de contêineres por hora,segundo o Centronave. (AgênciaEstado)

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