2 de Fevereiro de 2012 - Quinta-feira
JORNAL DA MÍDIA/BA
Otto Alencar ''mentiu'' sobre caso da empresa espanhola no ferryboat
Através de um blog político, o secretário de Infraestrutura, o médico ortopedista Otto Alencar, classificou de ''mentirosa" a notícia de que uma empresa espanhola tinha sido consultada pela Seinfra sobre a possibilidade de vir operar o sistema ferryboat em lugar da TWB.
Otto Alencar disse que a notícia do Jornal da Mídia era mentirosa. Se alguém mentiu foi o secretário. Confira acima o que ele declarou ao jornal A Tarde, na segunda-feira.
A notícia, com o nome da empresa (Baleària), foi divulgada com exclusividade pelo JORNAL DA MÍDIA na última segunda-feira. Todas as informações publicadas saíram com base em fontes da Seinfra e da Agerba. Uma das fontes do JM participou de uma comissão criada pela Seinfra exclusivamente para ''estudar'' o caso TWB. Tinha um membro, inclusive, que era ligado a outra secretaria estadual.
O próprio secretário Otto Alencar tinha declarado ao jornalista Biaggio Talento, de A TARDE, que realmente uma empresa espanhola havia sido consultada pelo governo (veja quadro ao lado).
Quer dizer: se alguém mentiu foi Otto Alencar e não o JORNAL DA MÍDIA. Não acreditamos, sinceramente, que o o jornalista Biaggio Talento, um profissional respeitado, tenha publicado uma mentira, mesmo que tenha saído da boca do vice-governador.
O problema é que a imprensa, especialmente os blogs políticos, não investiga mais nada, não pesquisa e acredita tudo que o secretário fala. Não estamos nos referindo aqui à nota de Biaggio Talento, em A Tarde. As contradições de Otto Alencar sobre o ferryboat e a TWB são inúmeras. Não diz o secretário nada com nada...
Vamos repetir aqui: o chefe de gabinete de Otto Alencar, Marcos Cavalcanti, aconselhou o dono da TWB a se entender com a empresa espanhola Baleària sobre o assunto. Se Cavalcanti não faz parte do governo, aí só o secretário pode explicar.
Se o secretário Otto Alencar quer manter a TWB na Bahia, não é nosso o problema. É do governo, que continua negligenciando e deixando a população penando por esse servicinho ordinário oferecido pela concessionária. "Nada pode ser feito (pelo governo) para trocar a TWB", garantiu o secretário. Assim, nem mesmo se um ferryboat afundar a TWB vai largar o osso.
Muito estranho também é o diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pesso, afirmar a esse mesmo blog político, que publicou a versão estapafúrdia de Otto Alencar, "não ter chegado nada à Agerba sobre negociações com a Baleària. Mas, tudo bem, perdoa-se. É possível que sim, já que Pessoa é colocado à margem de todas as discussões envolvendo a TWB.
Aliás, nem mesmo os donos da TWB se entendem mais com o executivo da Agerba. Só com o pessoal da Seinfra e fazem questão de dizer isso até em entrevistas à imprensa. Quem cuida do caso TWB na Seinfra é Ivan Barbosa, diretor de Transportes, Marcos Cavalcanti, chefe de gabinete, e Rondon Brandão, diretor de Qualidade da Agerba, tido como um defensor antigo da TWB.
Vamos repetir mais uma vez: quem trouxe a TWB para a Bahia foi Eraldo Tinoco, já falecido, velho amigo de Otto Alencar. O contrato de concessão de bondosos 25 anos foi todo montado para favorecer à concessionária, que não cumpre as cláusulas estabelecidas, não paga multas, não paga nada pelo aluguel das embarcações, mas que pode ser beneficiada por uma multa vultosa caso o governo queira lhe tirar do negócio. Uma beleza!!! Uma vergonha!!!
O assunto TWB é hoje exclusivamente da Seinfra. A tarefa de Eduardo Pessoa é sempre de um ''diretor tampão'', porque quem manda mesmo na Agerba é Otto Alencar. A tarefa de Pessoa está limitada a dizer que ''fiscaliza e que multa a concessionária". Trata-se de um joguinho de cena para passar para a opinião pública que o governo está fazendo alguma coisa.
Eduardo Pessoa também desmentiu notícias divulgadas pelo JORNAL DA MÍDIA de que o faturamento da TWB giraria em torno de R$ 70 milhões. Ele disse que a concessionária fatura R$ 50 milhões/ano.
E mais: disse deconhecer que o lucro líquido da TWB é de R$ 25 milhões/ano.
É brincadeira esse ''desmentindo'' de Eduardo Pessoa. A Agerba, caros leitores, não tem nenhuma noção nem do quantitativa transportado pela TWB quanto mais sobre o faturamento da empresa paulista. Aliás, o próprio diretor-executivo da Agerba declarou em seu ''desmentido'':
"A Agerba só recebe o balanço do valor bruto (faturamento), pois nossa arrecadação é de 1% sobre esse valor", afirmou.
Pois é... Uma agência de regulação que não controla a empresa que fiscaliza, que não tem sequer uma estatística sobre o total de passageiros e veículos que a TWB transporta e que se baseia exclusivamente nos ''números'' da própria concessionária....O que se esperar dessa agência? Ela recebe o balanço pronto...E ponto final.
Recomendaríamos ao diretor da Agerba que pesquisasse mais, que se informasse melhor, que procurasse ler o que a própria TWB já publicou sobre o seu faturamento líquido na Bahia para não ficar falando bobagens para setores da imprensa que não entendem absolutamente nada do assunto.
E a auditoria que a Agerba encomendou à Fipecafi não chegou a nenhuma conclusão sobre o faturamento da TWB? A conta é simples. Por que então se gostou R$ 700 mil com a Fipecafi, de São Paulo? A ''auditoria" já dura seis meses e nem o relatório preliminar ainda a Agerba conseguiu divulgar.
Mas, voltaremos ao assunto mais adiante.
