2 de Fevereiro de 2012 - Quinta-feira
AGRONOTÍCIAS
Sacola de amido de milho deve aquecer o mercado
Cotado a cerca de R$ 15 no Médio Norte, um novo produto com base de amido de milho promete elevar e estabilizar a commodities do grão. As sacolas plásticas biodegradáveis, fabricadas a partir do amido, que se transforma em ácido lático que, aquecido e moldado, forma o biopolímero de milho, promete aquecer o setor.
Além das vantagens econômicas, pois custa barato ao consumidor, as vantagens da “sacola de milho” são mais ecológicas do que econômicas. Diferente da sacola clássica produzida com derivado de petróleo, que demora mais de 400 anos para se decompor, o material produzido com o amido é “desmanchado” na natureza entre seis meses a um ano e meio.
Para o presidente-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, os milhocultores só têm a ganhar com este novo mercado. “Firmando parcerias com governo e outras instituições, como a Aprosoja, a cadeia vai perceber uma melhora no setor e todos vão saber aproveitar as novas oportunidades para comercialização do milho”.
Até agora, as indústrias que vão explorar este mercado estão se instalando no Brasil. Sendo a maioria do exterior, dos Estados Unidos e da Europa, as empresas devem aproveitar, além do milho, a celulose e a tradicional cana para a produção do “álcool superior”, que é o plástico biodegradável.
Em relação a Mato Grosso, Paolinelli destacou que já conversou pessoalmente com o governador Silval Barbosa (PMDB) sobre esta nova possibilidade para utilização do milho no Estado, que produzirá, só nesta safrinha, 9,803 milhões de toneladas – conforme levantamento do Instituto Mato-grossense se Economia Agropecuária (Imea). “O Estado já demonstrou que está pensando no futuro e nos produtores com o incentivo a construção da primeira usina do País a processar cana-de-açúcar e milho em um mesmo complexo”.
Prevista para inaugurar neste mês, ou começo de março, a Usimat Flex, empresa que administra o empreendimento, espera dobrar o seu faturamento até 2013. Localizada Campos de Júlio, no Oeste do Estado, a usina processa atualmente 600 mil toneladas de cana – que equivale a aproximadamente 48 milhões de litros de etanol, pretende investir cerca de R$ 15 milhões para a produção de etanol com cana e milho.
Com o pioneirismo, o presidente da Abramilho acredita que os produtores mato-grossenses devem ser um dos primeiros do Brasil a explorar esta nova modalidade no mercado. “O consumo no mercado interno está crescendo, assim como a produção, então estes novos destinos como a produção de etanol, que consequentemente deve instigar para a fabricação de plástico biodegradável, vão servir para evitar estas variações malucas e estabilizar o preço, deixando o milhocultor cada vez mais seguro e a atividade mais rentável”.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Brasil (Aprosoja), Glauber Silveira, a usina no Estado, e a novidade da utilização do amido de milho na fabricação de sacolas de mercado, vão evitar que o preço do milho seja pressionada para baixo. Segundo Silveira, atualmente Mato Grosso não amplia a produção do cereal porque não há mercado. No entanto, caso as usinas e indústrias se adaptem para fabricar etanol com o grão durante a entressafra da cana os produtores têm condições de atender a demanda.
SACOLAS
Embora ainda não seja uma determinação legal, a retirada de circulação das sacolas plásticas dos supermercados paulistas segue tendência mundial e deve mesmo causar algumas mudanças no setor. A alteração de comportamento do varejo e dos consumidores pode estimular ainda mais a opção do agricultor por plantar milho no Brasil – o país é o terceiro maior produtor mundial do cereal. “O brasileiro usa em média 66 sacolas por ano. Esse número deve diminuir, o que é bom, mas é melhor ainda para o milhocultor, que passa a ter nessa nova indústria mais uma opção de cliente para seu produto”, aponta o presidente da Abramilho.
Segundo Paolinelli, a fabricação de biopolímeros derivados do milho representa ainda mais um passo para agregar valor ao produto nacional. “O agricultor precisa pensar na cadeia produtiva como um todo, e não apenas na sua produção. Criar uma matéria-prima tão versátil como o plástico de amido de milho é um grande avanço para o país deixar de ser apenas produtor da commodity. O milhocultor precisa entender que vende não apenas milho, mas proteína animal, insumos, etanol e, agora, também bioplástico”, finaliza.

